No dia 4 de junho de 1972, Natal se movimentou para assistir a uma das maiores festas de sua existência: a inauguração do então estádio de futebol Humberto de Alencar Castelo Branco, apelidado de Castelão, posteriormente “rebatizado” com o nome de João Cláudio de Vasconcelos Machado, Machadão.
Hoje, essa obra que nunca foi concluída, chamada de “Poema de Concreto”, pelo então governador do Estado, José Cortez Pereira (já falecido), faz aniversário de 38 anos. Está na flor da idade, porém, prestes a “falecer”, pois a partir de janeiro de 2011será demolido para dá lugar ao estádio Arena das Dunas.
Desde maio do ano passado, quando a cidade foi confirmada como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, que se discute se o Machadão tem ou não condições de ser adaptado às exigências da FIFA. Uns defendem que sim, outros sustentam que não.
Formado em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, confesso que não sei o que seria mais fácil. Se reformá-lo ou demoli-lo para construir outro em seu lugar. Mas, lendo o livro “Os Esportes em Natal” escrito pelo jornalista e pesquisador José Procópio Filgueira Neto, encontrei uma espécie de “caderno de motivos” que foi enviado à Câmara Municipal do Natal, o qual convenceu os vereadores a votarem a favor da construção da obra.
A integra do documento
“O estádio municipal de Natal será o terceiro do Brasil em capacidade depois do Maracanã e Mineirão. Abrigará 40.000 espectadores quando concluído. É dispensável, pelos motivos diariamente debatidos pela imprensa, comentar a importância do estádio para vida esportiva do Rio Grande do Norte. Uma lembrança, uma comparação, entretanto, deve vir à tona. Todos sabem do impulso tomado pelas atividades esportivas de Minas Gerais depois da construção do estádio de Belo Horizonte, colocando aquele Estado ao lado dos grandes centros desportivos do país. O mesmo deverá acorrer com o Rio Grande Norte, pois o estádio não é apenas uma obra para Natal, desde que o atrofiamento das atividades esportivas local é dado como conseqüência das limitações impostas pelas precariedades das praças existentes.
Serão os seguintes os elementos básicos do estádio:
a – Dimensão do campo: 110 x 75 metros (medidas oficiais); b – Pistas: Corrida 400 mts. Lançamentos e caixas de saltos; c – Separação entre o campo e o público: será através de um fosso seco, que contorna a parte interna do estádio em todo seu perímetro, havendo um corte para permitir entrada para delegações, alegorias e equipes; d – Acesso dos atletas: far-se-á por meio de três túneis que ligam os vestiários, serviços médicos e salas de juízes aos limites internos do campo; e – Níveis de localização: estádio terá três níveis de localização. No primeiro as gerais com capacidade para 9.000 espectadores com entradas pelos flancos, servidos por oito (8) bilheterias e respectivas roletas; 2 portões de saída com cinco metros de largura cada. O público das gerais será servido por 4 bares e 8 conjuntos de sanitários masculino e feminino. No segundo nível serão localizadas 4.000 cadeiras avulsas e 4.000 populares, totalizando mais 8.000 espectadores protegidos por cobertura e servidos pela mesma quantidade de bares e sanitários existentes no primeiro nível. No terceiro nível com cerca de 21.000 espectadores, ficarão as arquibancadas populares e mais a área central para 1.500 cadeiras cativas, tribunas e cabines de imprensa. Esse nível será igualmente servido de bares e sanitários suficientes para sua capacidade; f – Circulação: as circulações internas serão feitas através de rampas com 10 graus de inclinação; g – Escoamento: mesmo lotado, o escoamento total ocorrerá em 10 minutos no máximo; h – Entradas: as populares pela Av. Lima e Silva e se distribuirão por 16 bilheterias e roletas, que atenderão 1.100 pessoas por bilheteria e o escoamento será através de 2 portões de 15 metros de largura cada; i – Serviços gerais: alojamento para 250 atletas; restaurante; sala para administração e federação; sala para escola de educação física; j – Conjuntos: ginásio coberto para 5.000 pessoas; piscina olímpica com arquibancada para 5.000 pessoas; quadras para basquetebol, voleibol e futebol de salão; jardins e concha acústica; estacionamento para 600 automóveis, além da capacidade de estacionamento ao longo das avenidas”.
Diante desse documento, facilmente se conclui que, se o estádio de Lagoa Nova tivesse sido concluído e mantido conservado com os elementos contidos no “caderno de motivos”, com certeza, esse “jovem de apenas 38 anos” seria apenas reformado e, conseqüentemente, não receberia sua “sentença de morte”. (Manoel Cirilo).










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