A análise de
dois julgamentos do Pleno do TJD/RN evidencia possível tratamento
desigual em situações semelhantes. Em 2019, o Potiguar de Mossoró foi
punido com a perda de seis pontos pela escalação do atleta Sávio, então
com 15 anos e 9 meses.
O Regulamento Específico da Competição
(REC) vedava a utilização de menores de 16 anos. Embora o jogador não
tenha entrado em campo contra o Palmeira de Goianinha, a 1ª Comissão do
TJD aplicou o artigo 214 do CBJD. A sanção incluiu ainda multa de R$
300,00. O Pleno da casa manteve a decisão. Posteriormente, o STJD, no Rio, confirmou o entendimento.
A
defesa do Potiguar buscava o enquadramento no artigo 191, sustentando
ausência de vantagem esportiva. Argumentava-se que, sem atuação do
atleta, caberia apenas multa. O Pleno do TJD, contudo, adotou
interpretação literal e rigorosa.
A punição
impactou diretamente a classificação final. Com a perda dos pontos, o
Potiguar ficou fora da Copa do Brasil de 2020. O prejuízo técnico e
sobretudo financeiro foi significativo para a equipe mossoroense.
Eis
agora, em caso semelhante, o América SAF também escalou atleta
irregular que não entrou em campo. O atleta Elias tem 20 anos, mas não
possuía contrato profissional em três jogos, contrariando o REC. Desta
vez, o Pleno do TJD aplicou os princípios da proporcionalidade e
razoabilidade – ignorados em 2019 na tese do Potiguar. A sanção foi
limitada à multa, sem perda de pontos.
Ambos os
casos envolveram descumprimento formal e ausência de vantagem esportiva.
Ainda assim, as consequências foram substancialmente distintas. A divergência gera sérios questionamentos sobre coerência e isonomia nas decisões do Pleno do TJD/RN.
Foto reprodução
Fonte: Blog do Marcos Santos
Manoel Cirilo
Natural de Goianinha/RN, é formado em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte desde 1983. Durante 15 anos trabalhou no Diário de Natal, onde exerceu as funções de repórter esportivo, editor de esporte e revisor. Durante seis anos, comandou um programa de esporte amador na antiga Rádio Poti de Natal, hoje, Rádio Clube, além de comentarista de futebol na própria Poti e em duas rádios comunitárias. É correspondente da Revista Placar no Rio Grande do Norte desde 2002.
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